Hoje dei por mim a pensar no
verdadeiro significado de amizade…
Lembro-me de quando era mais
nova a minha mãe dizer por diversas vezes que os amigos se contavam pelos dedos
e que tudo o resto era apenas conhecidos.
Na altura não liguei a este
comentário. No entanto crescemos e começamos a perder cada vez mais “amigos”.
Por circunstâncias da vida tive
de me mudar para a Madeira. No início recebia imensas cartas (sim… os
telemóveis ainda não eram assim tão usuais e não se falava ainda de emails…).
Por mês era capaz de receber 5 a 6 cartas… E às vezes até de pessoas que nem
imaginava que alguma vez me fossem escrever. Sabia bem receber aquelas cartas
que ainda hoje guardo numa caixa cheia de recordações maravilhosas. Com o tempo
as cartas foram diminuindo até que deixaram de chegar.
Com o desenvolvimento da
tecnologia voltei a contactar algumas dessas pessoas mas será que os podia
ainda chamar de amigos?
Ao voltar para Lisboa para ir
para a faculdade uma das minhas melhores amigas veio também. Tínhamos aulas em
salas seguidas e o mesmo horário escolar. No início combinávamos diversas coisas
para fazer mas após o Natal do primeiro ano algo mudou pois deixei de receber
convites dela. Não me apercebi de imediato pois estava entretida a viver a “experiência
académica”, mas acabei por perceber com o tempo que os nossos interesses já não
eram os mesmos e naturalmente, sem ser necessário uma palavra sobre o assunto,
acabamos por nos afastar de vez… Não eram necessárias palavras para constatarmos
que já não éramos as mesmas pessoas e que estávamos a viver a mesma experiência
de forma diferente.
Será que para manter uma
amizade temos de estar constantemente a relembrar a pessoa de que existimos?
Manter de alguma forma o laço que nos une? Combinar um programa com alguma
frequência?
A minha resposta terá de ser
negativa. E porquê?
Porque as minhas amigas não são
do tempo de faculdade, ou do tempo da escola, ou de algum trabalho… São pessoas
que fui “adquirindo” durante a vida e pelos diversos sítios pelos quais passei.
Todas são diferentes de mim… Muito diferentes!!! Mas de alguma forma
completam-me e mantêm-me presa ao chão quando quero voar de mais.
Não preciso de lhes ligar todos
os dias ou todas as semanas. Não preciso combinar nada com elas com nenhuma
frequência. Mas quando estou com elas é como se o tempo não tivesse passado. É
como se nunca nos tivéssemos separado. E acima de tudo sei que quando preciso
delas elas estão lá… mesmo que seja para me chamarem à razão ou dizerem que sou
idiota.
Porque a amizade é isso mesmo!
É saber que se agirmos mal ou estivermos a seguir um caminho “perigoso” há
alguém que nos vai chamar à razão para nosso benefício… por mais que isso nos
doa e sem qualquer crítica associada.
Sim também tenho amigos que me
dão sempre razão e me dizem que estou linda mesmo que saia à rua de
fato-de-treino e sem maquilhagem. Mas quando eu preciso mesmo de uma opinião
sincera não é estes que chamo.
Acho que no fundo temos
diversas camadas de amigos. Uma escala que vai do melhor amigo (quase irmão) ao
simples conhecido.
Eu hoje dou razão à minha mãe
em diversas coisas. E esta é uma delas! Amigos, aqueles que estão sempre
prontos a ouvir-me, nem que seja a milésima vez que repito “que ele é tão lindo!”,
ou “que estou gorda”, ou que preciso urgentemente sair à noite ou ir ao café
para descontrair… esses amigos são poucos, são raros mas são os melhores! E não
precisam de “manutenção” porque podem passar dias, semanas, meses ou anos sem
falarem comigo mas sabem que se precisarem lá estarei, como se tivéssemos falado
ainda no dia anterior.
Os verdadeiros amigos não necessitam
de “manutenção” porque se conservam ao teu lado, mesmo que não o façam fisicamente.


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