sábado, 28 de março de 2015

Amizade em “manutenção”!

Hoje dei por mim a pensar no verdadeiro significado de amizade…
Lembro-me de quando era mais nova a minha mãe dizer por diversas vezes que os amigos se contavam pelos dedos e que tudo o resto era apenas conhecidos.
Na altura não liguei a este comentário. No entanto crescemos e começamos a perder cada vez mais “amigos”.
Por circunstâncias da vida tive de me mudar para a Madeira. No início recebia imensas cartas (sim… os telemóveis ainda não eram assim tão usuais e não se falava ainda de emails…). Por mês era capaz de receber 5 a 6 cartas… E às vezes até de pessoas que nem imaginava que alguma vez me fossem escrever. Sabia bem receber aquelas cartas que ainda hoje guardo numa caixa cheia de recordações maravilhosas. Com o tempo as cartas foram diminuindo até que deixaram de chegar.
Com o desenvolvimento da tecnologia voltei a contactar algumas dessas pessoas mas será que os podia ainda chamar de amigos?
Ao voltar para Lisboa para ir para a faculdade uma das minhas melhores amigas veio também. Tínhamos aulas em salas seguidas e o mesmo horário escolar. No início combinávamos diversas coisas para fazer mas após o Natal do primeiro ano algo mudou pois deixei de receber convites dela. Não me apercebi de imediato pois estava entretida a viver a “experiência académica”, mas acabei por perceber com o tempo que os nossos interesses já não eram os mesmos e naturalmente, sem ser necessário uma palavra sobre o assunto, acabamos por nos afastar de vez… Não eram necessárias palavras para constatarmos que já não éramos as mesmas pessoas e que estávamos a viver a mesma experiência de forma diferente.
Será que para manter uma amizade temos de estar constantemente a relembrar a pessoa de que existimos? Manter de alguma forma o laço que nos une? Combinar um programa com alguma frequência?
A minha resposta terá de ser negativa. E porquê?
Porque as minhas amigas não são do tempo de faculdade, ou do tempo da escola, ou de algum trabalho… São pessoas que fui “adquirindo” durante a vida e pelos diversos sítios pelos quais passei. Todas são diferentes de mim… Muito diferentes!!! Mas de alguma forma completam-me e mantêm-me presa ao chão quando quero voar de mais.
Não preciso de lhes ligar todos os dias ou todas as semanas. Não preciso combinar nada com elas com nenhuma frequência. Mas quando estou com elas é como se o tempo não tivesse passado. É como se nunca nos tivéssemos separado. E acima de tudo sei que quando preciso delas elas estão lá… mesmo que seja para me chamarem à razão ou dizerem que sou idiota.
Porque a amizade é isso mesmo! É saber que se agirmos mal ou estivermos a seguir um caminho “perigoso” há alguém que nos vai chamar à razão para nosso benefício… por mais que isso nos doa e sem qualquer crítica associada.
Sim também tenho amigos que me dão sempre razão e me dizem que estou linda mesmo que saia à rua de fato-de-treino e sem maquilhagem. Mas quando eu preciso mesmo de uma opinião sincera não é estes que chamo.
Acho que no fundo temos diversas camadas de amigos. Uma escala que vai do melhor amigo (quase irmão) ao simples conhecido.
Eu hoje dou razão à minha mãe em diversas coisas. E esta é uma delas! Amigos, aqueles que estão sempre prontos a ouvir-me, nem que seja a milésima vez que repito “que ele é tão lindo!”, ou “que estou gorda”, ou que preciso urgentemente sair à noite ou ir ao café para descontrair… esses amigos são poucos, são raros mas são os melhores! E não precisam de “manutenção” porque podem passar dias, semanas, meses ou anos sem falarem comigo mas sabem que se precisarem lá estarei, como se tivéssemos falado ainda no dia anterior.
Os verdadeiros amigos não necessitam de “manutenção” porque se conservam ao teu lado, mesmo que não o façam fisicamente.


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